Amaranthus palmeri já se encontra no Brasil.

Não teve como,

Um dos principais problemas na agricultura Norte-Americana, recém chegou ao Brasil. Trata-se da planta daninha de caruru (Amaranthus palmeri) que foi relatada no Mato Grasso pelos pesquisadores Edson Junior, Anderson Cavenaghi, Sebastião Guimarães e Saul Carvalho.

A problemática desta espécie se encontra tanto nas características de agressividade, como na resistência que algumas populações apresentam à herbicidas.Para começar, é uma espécie dioica, e as plantas que apresentam flores femininas, podem produzir sementes mesmo sem polinização (apomixia facultativa). Uma planta, pode produzir até 600.000 sementes. É um planta de fisiologia C4, que cresce em média 2 a 3 cm DIÁRIOS. As perdas de produtividade em culturas agrícolas causadas pela espécie chegam em até 90% segundo os autores da circular técnica. Para complicar, ela se cruza com outras espécies de caruru. Temos que estar atentos então, quanto a possível superexpressão da EPSPs nestas plantas e se essa característica poderá ser transmitida a outras espécies de caruru presentes no Brasil, como o A. viridis e A. retroflexus o que já pode estar ocorrendo nos Estados Unidos.

Quanto a resistência aos herbicidas, nos EUA é relatada a resistência à 5 mecanismos de ação de herbicidas (inibidores da ALS, inibidores da EPSPs, inibidores da HPPD, inibidores da tubulina e inibidores do fotossistema II). As plantas identificadas no Mato Grosso parecem apresentar tolerância ao glyphosate e aos inibidores da ALS, tratando-se portanto de um caso de resistência múltipla.

Como identificar a espécie ?

Existem várias características mas a mais importante e fácil trata-se da análise da folha (limbo + pecíolo). No A. palmeri, os pecíolos são maiores ou iguais ao comprimento do limbo, como pode ser observado na foto abaixo.


palmeri

Como recomendado na circular, a tolerância desta espécie deve ser ZERO. Assim que identificar essa planta, a recomendação é a erradicação, nem que precise usar a enxada. Melhor usar um pouco a enxada agora, do que muito no futuro, como vem ocorrendo nos Estados Unidos em áreas de algodão (veja a foto abaixo). Além disso a prevenção deve ser levada a sério, como a inspeção de áreas, identificação de espécies, etc. As plantas de caruru são muito bem adaptadas no Brasil e podem com a entrada do A. palmeri, se tornarem uma ameaça ao desenvolvimento do País. Espera-se que o Ministério da Agricultura tome medidas o mais rápido possível na erradicação da espécie e na elaboração de programas de manejo, que contarão com o apoio das Universidades e Empresas do Setor.

A entrada da planta no Brasil, reforça um conceito que já conhecemos. O Brasil não possui uma politica eficaz contra espécies invasoras e a academia também não se preocupa tanto com o tema, devido entre outros fatores a limitações que o governo impõe sobre as pesquisas (a exemplo do uso de herbicidas em ambientes aquáticos e a erradicação da Brachiaria spp. em parques e reservas no País, ambos os problemas que afetam economicamente o país e o meio ambiente, porém que não possuem importância aos olhos dos órgãos).

A circular pode ser baixada na aba downloads ou aqui.


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