Situação da Defesa Fitossanitária Brasileira

Recentemente, acompanhei palestras sobre o mercado Fitossanitário e sobre o Setor de Defesa Vegetal no Brasil e fiquei animado com o que foi exposto ! Lá se vão as boas notícias.

As palestras foram ministradas no III CONBRAF (Congresso Brasileiro de Fitossanidade) que ocorreu na Cidade de Águas de Lindóia – SP, entre os dias 19 e 21. A primeira palestra, ministrada pelo Líder da FMC America Latina Antonio Zen, falou sobre o mercado fitossanitário brasileiro. Nela, ele ressaltou a necessidade de fiscalização na entrada de agrotóxicos falsos no mercado. Estima-se que hoje a venda destes produtos atinja 1 bilhão de dólares. Além do problema direto de ordem econômica com a diminuição das vendas, utilizando estes produtos os produtores não obtêm os resultados esperados, ocorrendo falhas no controle das pragas/patógenos alvos, o que traz também prejuízos ao outro lado da cadeia.  Foi demonstrado ainda o que já conhecemos: A longa fila existente para registro de produtos, alterações de doses ou outras questões relacionadas a bula de produtos.  Sugeriu-se que exista dentro do Ministério, diferentes listas que priorizem determinadas situações, por exemplo, separando produtos novos de registros de produtos já existentes (Coisa que o MAPA já está atento, veja abaixo). Além disso, existe o problema para as novas empresas que querem entrar no mercado. Até conseguirem um registro (6-7 anos) fica difícil para as mesmas competirem com as já existentes. Deveriam ser criados alguns mecanismos para diminuir essa desigualdade (O mapa está de olho nisso também).

Como exemplo de novas tecnologias, foi demonstrada a tecnologia Capture 3RIVE 3D da FMC, que ao invés de utilizar água na pulverização, utiliza uma espécie de espuma, que permite carregar o aplicador com menos peso, e consequentemente, pulverizar uma quantidade maior de hectares do que o normal. Maiores informações podem ser encontradas no site da empresa (http://www.fmccrop.com/grower/Products/Insecticides-Miticides/Capture-3RIVE-3D.aspx).

Outra situação exposta foi o investimento atual das empresas em produtos biológicos. Parece que as empresas estão caindo na real de que o controle exclusivamente químico não é solução no manejo de pragas a longo prazo. A intenção é de que esses produtos possam estender a vida útil dos químicos e dos transgênicos. Além disso, para se registrar um novo produto sintético são gastos 256 milhões de dólares, um organismo geneticamente modificado, aproximadamente metade desse valor (128), e de um biológico, apenas 1,5 milhão de dólares. Estima-se que este mercado cresça em 15% até 2022, sendo uma corrida tecnológica entre as Empresas do Setor.

Foi ae que fiquei animado ! É muito importante ver que as empresas estão cientes desta necessidade de diversificação no controle de pragas. Afinal, o Brasil, para ser um bom exportador agrícola, precisa atingir exigências de mercados como os da Europa e dos Asiáticos. Sabe-se que cada vez é maior a pressão para a retirada de produtos químicos do mercado, como vendo ocorrendo na União Européia.

Outro fator animador foram alguns dados levantados pelo palestrante Luis Eduardo Pacifici Rangel, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Primeiro, a inauguração da ENAGRO (Escola Nacional de Gestão Agropecuária), que pode ser acessada no site (http://enagro.agricultura.gov.br/pagina-inicial) destinada a capacitar os fiscais do MAPA e segundo, as novas diretrizes publicadas no último dia 12, para o registro de moléculas (http://www.agricultura.gov.br/comunicacao/noticias/2015/08/estabelecidos-novos-criterios-para-protecao-fitossanitaria). A portaria número 163, pode ser acessada na íntegra aqui (http://pesquisa.in.gov.br/imprensa/jsp/visualiza/index.jsp?jornal=1&pagina=5&data=12/08/2015).

Foram também listadas as principais pragas, documento este disponibilizado ontem no Diário Oficial da União, e são elas:

Ferrugem da Soja, Mofo Branco, Helicoverpa armigera, Mosca-branca, Nematoides, Broca-do-café, Buva, Capim-amargoso e o Bicudo do Algodoeiro (http://www.agricultura.gov.br/vegetal/noticias/2015/08/ministerio-da-agricultura-prioriza-controle-de-oito-pragas). Aqui nos cabe a atenção as plantas daninhas. Será que teremos um rápido registro por exemplo de inibidores da ACCase no controle de amargoso em culturas como a seringueira ? Além disso, existe uma proposta interna para atualização das bases da Defesa Vegetal brasileira. Fora isso, o MAPA lançou um livro sobre a defesa vegetal no Brasil que pode ser comprado aqui (http://www.defesaagropecuaria.net/) escrito por 51 autores, livro essencial para quem é da área ! PS: O preço é bem em conta, haja vista seu conteúdo.

Dá para ver portanto que a Ministra Kátia Abreu e o MAPA estão trabalhando arduamente na proteção do Brasil contra pragas exóticas (ou quarentenárias, como define o MAPA), o que não é tão simples, já que são 15.735 km de fronteiras terrestres no País. Espera-se que toda essa atividade continue firme e forte e que o Brasil avance na produção agrícola sustentável.

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