97% dos agricultores realizam misturas em tanque no Brasil

Todos nós sabemos que a mistura de agrotóxicos é prática comum e rotineira nos campos do Brasil, mesmo que proibida por lei. O que se desconhecia, era que essa porcentagem fosse tão alta. Estes dados foram levantados e publicados pelo pesquisador Dionísio Gazzieiro da Embrapa Soja na última edição da Revista Planta Daninha.

Segundo o autor, 95% das vezes, a mistura é ocorre entre dois a cinco produtos. Nas misturas, 59% mantém a dose cheia dos produtos, 25% reduzem a dose de ao menos um, e 16% reduzem a dose de todos os produtos. A mistura de produtos é essencial ao desenvolvimento da Agricultura brasileira, principalmente quando se trata do manejo da resistência de plantas daninhas a herbicidas e considera-se a falta de lançamento de novos herbicidas nos últimos anos. Em um recente Congresso nos Estados Unidos, 55% dos participantes, passaram a considerar a realização da adição de herbicidas nos seus programas para manejo da resistência, 50% a usar mais de um sítio de ação por aplicação e 38% a realizar misturas em tanque.

Porém para que a prática seja sustentável e segura, o produtor precisa ser bem informado. 72% desconhecem ou acham insuficientes as informações sobre misturas, sendo que 99% gostariam de ser melhores informados, seja por meio da assistência técnica, do fabricante ou de instituições oficiais de ensino e pesquisa. Os dados vão de encontro com os levantados por Pereira et al. (2014), publicados no último Congresso Brasileiro da Ciência das Plantas Daninhas, onde apenas 50% dos entrevistados no Paraná, julgava conhecer o conceito sobre a resistência de plantas daninhas. A difusão deste conhecimento é essencial principalmente com base nos dados acima, que tratam de doses (sabe-se que doses abaixo e acima das recomendadas, aceleram a evolução da resistência de plantas daninhas).

A educação é pilar de toda sociedade, e isso não foge ao campo. Na Europa, os casos de resistência a herbicidas diminuíram de maneira brusca nos últimos anos, mesmo com a retirada de milhares de produtos de circulação, somente orientando melhor os agricultores. Para isso, investiu-se na formação de agricultores e consultores, publicam-se boletins técnicos e realizam-se cursos (muitas vezes esses cursos são obrigatórios ao agricultor que vai semear determinada cultura ou até mesmo aplicar um herbicida, o mesmo vale para quem vende).

Ressalta-se que a mistura por si só não é garantia de eficácia de controle de plantas daninhas a longo prazo, uma vez que biótipos resistentes podem ser selecionados (resistência múltipla). Deve-se pensar também no uso de pré-emergentes, no levantamento de espécies nas áreas e no manejo cultural de plantas daninhas. Com relação a mistura de herbicidas, onde muito se discute e pouco se faz, à publicação deste levantamento é um passo concreto na tomada de medidas sobre o tema. O Governo deve parar de tapar o sol com a peneira e se dedicar a entender e ajudar na evolução da agricultura brasileira.

Arthur Arrobas Martins Barroso

Referências

GAZZIERO, D.L.P. Misturas de agrotóxicos em tanque nas propriedades agrícolas do Brasil. Planta Daninhas, v.33, n.1, p.83-92, 2015.

PEREIRA, G.R. et al. Levantamento da ocorrência de resistência ao glifosato em populações de Digitaria insularis no Oeste do Paraná. Congresso Brasileiro da Ciência das Plantas Daninhas, 2014, Gramado/RS.

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